Essa pergunta ricocheteou ao longo da semana nas paredes do Vazio instalado na minha Alma desde que minha filha se foi para a Casa do Pai.
Dia após dia, essa pergunta me confrontava e me interpelava: “vamos, diga... quais as dúvidas?”
Muitas emoções e pensamentos discrepantes, desconcertantes e descontentes vieram à tona, reli alguns textos que outrora acalentaram meu coração [in]certo em outras épocas mais felizes (onde a infelicidade era muito mais facilmente driblada e jogada fora do caminho), mas eram emoções e pensamentos também não menos decepcionantes.
Me vi diante da necessidade de:
[re]pensar,
[re]emocionar,
[re]organizar,
[re]orientar,
ou até mesmo [re]apagar.
Nem sei o quê?
Nem do quê?
Talvez algumas certezas que começam a se encastelar tão rapidamente como ela se foi.
É isso..., talvez seja isso, pois vou me distraindo tão rapidamente e as cracas vão tomando conta dos lugares sagrados no Vazio do meu coração.
Vazio que deve permanecer vazio... à espera dos passeios diários do Eterno que deixa aperceber-se à minha alma tantas vezes [in]certa.
Fui atrás de pensamentos e emoções escritas por mim durante este longo caminho desde o início arrebentado há 22 meses...
E, deixei que minhas dúvidas bailassem pelos corredores gelados, frios, escuros e tristemente iluminados pelas lágrimas pingantes que brilham ao menor facho de luz e que teimosamente tentam aclarar (talvez limpar) esses corredores, aclarar (talvez silenciar) esses pensamentos, aclarar (talvez apaziguar) essas emoções... [in]certezas.
“Eu tenho apenas a alegria de não ter nada – nem a realidade da presença de Deus”.Essa frase de Madre Tereza de Calcutá, em carta ao seu confessor, padre Joseph Neumer, expressa o sentimento que brota em nossa alma quando somos esmagados pela realidade nua de uma humanidade jurada de morte.
Traz a mim a clareza que nos meus passos e nos passos de tantos outros pelo Caminho, há [in]certezas... a despeito das nossas Crenças.
Xô, patativa
do galho de pau
do galho de pau
Tiraram a mata daqui
Só resta a ti ir embora
Sinto que já dói no peito a saudade
Quem me dera poder ir
Tem jeito não, posso não
Te cuida dos alçapão, vai-te embora
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| Patativa-tropeira (postado em |
Essas estrofes da música Patativa de Roberto Diamanso, com sua melodia saudosa, voz suave, que penetra a alma da gente, toca meu Vazio e traz a mim a marca que nos passos que trilho há [in]certezas... a despeito de nossas Crenças.
Se vivemos pela fé, não há necessidade de implorar que Ele nos salve do perigo. Torna-se suficiente saber que Ele está ali, mesmo que o perigo se mostre mortal; o que quer que o amor de Deus queira fazer ou esteja fazendo em nós será feito, não importa o quê.Nessa citação de Jacques Ellul em Fé e Crença, me coloca de frente com os alçapões no Caminho da Patativa... me coloca de frente com o Mal que nos assombra e nos assola pelo Vale da Sombra e da Morte... me coloca de frente às [in]certezas... e, arregaça com todos os meus acordos enraizados nas crendices, na busca insana das certezas que tenho dentro da gaiola.
"Eu creio, mas me ajude a vencer as minhas dúvidas!"Essa citação no livro de Marcos 9:24 em A Mensagem, me coloca lado-a-lado com o pai do menino, com o desesperançado, com aqueles que tem dúvidas e com os que trazem na alma [in]certezas.
Termino a semana com as [in]certezas que caminham comigo, com as [in]certezas que brotaram ao longo do Caminho e com as [in]certezas que é o próprio amanhã... mas, dou o próximo passo certo ou [in]certo - isso já não importa mais.
Sigo, dando cada passo com o que me importa e com quem se importa comigo:
"o Eterno não vem nem vai. Ele Permanece" - [a Mensagem Isaías 27:31]
